quinta-feira, 16 de abril de 2009

Governo federal vai fornecer 40,6 milhões de kits de saúde bucal



O Ministério da Saúde anunciou no final de março que vai incorporar ao Programa Brasil Sorridente, até o final de 2009, 40,6 milhões de kits com escova e pasta de dente, para público infantil e adulto, que estarão à disposição de 100% das Equipes de Saúde Bucal (ESB) em 4.597 municípios. Cerca de 8 milhões destes kits serão entregues para alunos dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas localizadas em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), chegando a 1.158 municípios.

Segundo o coordenador nacional de Saúde Bucal, Gilberto Pucca Jr., a distribuição dos kits será contínua, enfatizando que “este é o maior programa de incorporação de medidas de prevenção em saúde bucal do mundo, em termos quantitativos e de impacto”. E completa: “Isso deixa de ser um privilégio de quem tem dinheiro para comprar escova e pasta de dente e passa a ser um direito de cada cidadão”. A distribuição da primeira parcela dos kits de higiene bucal, correspondente a 17,8 milhões, também já foi anunciada.

Acesso inadequado a escovas

A medida de incorporar os 40,6 milhões de kits ao Brasil Sorridente foi apresentada logo depois da Agência Brasil divulgar que 58% da população brasileira não têm acesso adequado a escovas de dente, incluindo pessoas que utilizam o produto de forma esporádica e também as que não têm acesso algum a escovas. Esta informação, assim como a dos kits, repercutiu bastante na mídia e diversos jornais, sites e emissoras de rádio e televisão ouviram representantes da ABO para comentá-la e alertar a população e o poder público sobre a importância da higiene oral.

Nas entrevistas que concedeu, o presidente nacional da entidade, Norberto Lubiana, explicou que parte da população não tem acesso à escova por não poder comprá-la, mas que outra parte é por falta de conscientização sobre a importância da higiene bucal. “A ABO frisou nas declarações que é essencial informar melhor a população sobre saúde bucal e os cuidados que se deve ter com ela. Além disso, lembramos que a boca é a porta de entrada para muitas doenças.”

Segundo Pucca, do Ministério da Saúde, a não utilização de escovas de dente no País é mais comum do que se imagina. Ele alerta para o fato de praticamente todas as capitais brasileiras apresentarem baixos índices de acesso ao produto, principalmente em zonas consideradas de exclusão social. “A gente tem que acabar com essa ideia de que as pessoas não têm acesso aos bens mínimos só nas regiões distantes. O problema está na nossa esquina, nas periferias”, afirmou.

O coordenador de saúde bucal concorda que dificuldade financeira e desconhecimento são as principais razões pelas quais mais da metade dos brasileiros não utiliza a escova de dente de forma adequada. Em 2003, o índice de acesso zero às escovas de dente chegava a quase 65%. De acordo com o Ministério da Saúde, este número diminuiu devido ao crescente número de pessoas que passaram a integrar o mercado de trabalho.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Chá de camomila é alternativa terapêutica odontológica mais usada por mato-grossenses, diz estudo

Segundo o artigo publicado na Revista Sul-brasileira de Odontologia, esta espécie vegetal é consumida para alívio da erupção dentária.

Sabendo que a população de Mato Grosso tem por tradição o uso de espécies vegetais como alternativa terapêutica, Aneliza Meireles, da Escola de Saúde Pública do Estado de Mato Grosso, Miriamy Macedo, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso e Luiz Walter, da Universidade Estadual de Londrina, investigaram quais plantas são utilizadas com maior freqüência pelos moradores do bairro Santa Cruz (MT) em problemas odontológicos. Os resultados da pesquisa foram publicados este ano na Revista Sul-brasileira de Odontologia.

Ao entrevistar 40 indivíduos, por meio de abordagem qualitativa, os autores verificaram que as espécies mais usadas terapeuticamente são: camomila (Matricaria chamomilla L.); açafrão (Crocussativus L.) e arnica-da-serra (Brickelia brasiliensis (Spreng.) Robinson). Os vegetais foram usados para erupção dentária, estomatites e dor de dente, respectivamente.

De acordo com a publicação, os pesquisadores ainda coletaram 65 espécimes que foram catalogadas e depositadas para identificação no UFMT/Herbário Central. Eles identificaram que a folha foi a parte da planta mais utilizada, sendo o consumo feito predominantemente sobre a forma de chá.
Agência Notisa

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Confidências de dentista ....

ENTRE QUATRO PAREDES

Vai doer? É minha primeira vez?

Não sei, depende de cada pessoa.

Pode ir bem devagar?

Posso, mais se eu for rápido, talvez doa menos.

Estou com medo....

Abra bem, vamos começar.

AIIIIIIIIIII, ta sangrando!!!

É normal, mexe um pouquinho pra lá. Agora pra cá.

Pronto pode voltar semana que vem e aí vamos extrair o outro siso.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cliente satisfeito é amigo do peito



* Mario Persona

Era uma extração em série. Verdadeira linha de desmontagem de dentes brancos das mais variadas cores. Desde amarelo-nicotina até preto-cárie. Cor predileta de Henry Ford, criador da linha de montagem. Que quando indagado se havia alguma proibição para seus carros serem de outra cor, respondia: "Os carros podem ser produzidos em qualquer cor, desde que sejam pretos".
Na aula prática da faculdade de odontologia, meu amigo fazia parte dos discípulos de Tiradentes. E aprendia a técnica colonial de se extrair o mal pela raiz. As cobaias, apelidadas de pacientes, eram pessoas que não podiam ou não queriam pagar por uma extração privada. Sobrava aquela alternativa. Mais pública, porém mais grátis que a privada.
Na sala cor marfim, uma fileira de poltronas trêmulas sustentavam pacientes boquiabertos com o palavreado "dos doutor". Qualquer linguagem produzida na "Área de Broca" do cérebro de professores e alunos tinha som de broca na compreensão dos pacientes. O abismo de comunicação ali só não era maior que as cáries. Verdadeiras cavernas onde ecoava a dor.
A falta de uma comunicação clara é a principal razão do isolamento de algumas empresas. Só são achadas pelos credores. Mas mesmo quando encontradas, lhes falta saliva para informar, encantar, explicar e gerar uma ação da parte dos clientes. E o problema começa dentro. Pergunte aos seus funcionários o que sua empresa faz. Não sabem? Então nem perca tempo em perguntar ao mercado. Como sairia da boca a palavra que não existe na garganta?
Há empresas que usam uma linguagem carregada de tecnicismos para impressionar o cliente. E impressionam. Divirto-me nas feiras de tecnologia, cheias de clientes impressionados. Com sacolas derramando prospectos criptografados, só decifráveis pelos concorrentes. Que também se esforçam para explicar como fazem, sem dizer o quê, para clientes que passam incólumes, vão embora potenciais, e permanecem virgens de qualquer influência. Mas impressionados.
O problema ocorre porque falamos do que gostamos de falar, não do que o cliente gostaria de ouvir. Despejamos informação, quando deveríamos criar comunicação. Aquela de mão dupla, que só começa quando completada a conexão. Antes disso não passa de informação à disposição. Como santinho em mão de boca de urna de partido ruim. Ninguém pega.
Há empresas que conversam com o mercado em linguagem de advogado. Com rodeios, palavras difíceis e termos técnicos. Parecem gostar de manter o cliente na posição de demente. Com discursos que sublinham a ignorância, gostam de manter distância. Mas cliente à distância não é cliente. É consumidor. Cliente, com ente maiúsculo e que vive satisfeito, é aquele tratado como amigo do peito.
Veja a evolução da tecnologia da comunicação. Começou no tête-à-tête do contato pessoal. Depois gritaram de longe, bateram tambores e fizeram sinais de fumaça. Num dia de chuva, alguém decidiu transformar a linguagem em símbolos. Surgiu a escrita. Durante séculos foi a única forma de comunicação à distância, até a invenção do extrato de tomate.
Pelo menos era essa a minha idéia quando criança, já que meus telefones de barbante eram feitos com as latinhas de extrato de tomate Elefante. Porém descobri que Graham Bell já tinha criado algo mais eficiente, retornando o contato pessoal ao tête-à-tête. Era a tecnologia trazendo a boca de volta para junto do ouvido. E aproximando pessoas.
Mas a tecnologia só aproxima. Cabe à empresa criar um discurso bem mastigado para seu mercado. Principalmente se o cliente não puder mastigar. Como aquela senhora, com duas mãos dentro de sua boca e sem entender o que "os doutor" falavam. E pensar que ela havia entrado ali só para "distrair o dente do cisne"!
O professor procurou acalmá-la, explicando que as radiografias periapicais mostravam uma área radiopaca na região do terceiro molar, que tinha raízes volumosas abraçando o osso interradicular. Mas tudo seria feito sem causar a invasão da tuberosidade pelo antro, ou uma comunicação oro-antral com rotura dos vasos palatinos. A paciente ficou mais tranqüila.
Enquanto trabalhava, meu amigo procurava manter o rosto longe da boca da mulher. Não por força do hábito, mas por força do hálito. Sob a vigilância constante do professor, que o admoestava a ter cuidado e não deixar o dente cair no seio maxilar. A paciente escutou e não titubeou. Isso ela entendeu. E com um movimento brusco, fechou o decote.

* o autor é consultor, escritor e palestrante. Esta crônica faz parte dos temas apresentados em suas palestras. Veja em www.mariopersona.com.br